2c6833b0-77e9-4a38-a9e6-8875b1bef33d diHITT - Notícias Sou Maluca Sim!
terça-feira, 29 de agosto de 2017 0 comentários

ENEM - Qual é o problema?

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segunda-feira, 28 de agosto de 2017 0 comentários

PESSOAS CRUÉIS DISFARÇADAS DE BOAS PESSOAS



São seres que machucam, que agridem por intermédio de uma chantagem emocional maquiavélica baseada no medo, na agressão e na culpa. Aparentam ser pessoas altruístas, mas na verdade escondem interesses ocultos e frustrações profundas.

Muitas vezes ouve-se dizer que “quem machuca o faz porque em algum momento da vida também já foi machucado”. Que quem foi magoado, magoa. No entanto, ainda que por trás destas ideias exista uma base verídica, existe outro aspecto que sempre nos custa admitir: A maldade existe. As pessoas cruéis, por vezes, dispõem de certos componentes biológicos que as empurram em direção a determinados comportamentos agressivos.

“Não há maldade mais cruel que a que nasce das sementes do bem.”
-Baldassare Castiglione-

O cientista e divulgador Marcelino Cereijudo nos assinala algo interessante. “Não existe o gene da maldade, porém há certos aspectos biológicos e culturais que a podem propiciar”.

A parte mais complexa deste tema é que muito frequentemente tendemos a buscar rótulos e patologias em comportamentos que simplesmente não entram dentro dos manuais de psicodiagnóstico.

Os atos maliciosos podem ocorrer sem que exista necessariamente uma doença psicológica subjacente. Todos nós, em algum momento da nossa vida, já conhecemos uma pessoa com este tipo de perfil. Seres que nos presenteiam com bajulação e atenção. Pessoas agradáveis, com êxito social, mas que em privado delineiam uma sombra obscura e alargada. Na profundeza dos seus corações respira a crueldade, a falta de empatia e até mesmo a agressividade.

As pessoas cruéis e a molécula da moral

Tal como dissemos anteriormente, até hoje ninguém conseguiu identificar a existência do gene da maldade. No entanto, nos últimos anos aumentaram os estudos sobre um aspecto fascinante: a denominada “molécula da moral”. Para compreender melhor o que é esta estrutura, iremos nos contextualizar a partir de uma história real. Uma história terrível, que lamentavelmente acontece com muita frequência.

Hans Reiser é um programador norte-americano famoso por ter criado os arquivos ReiserFS. Atualmente, e desde 2008, está na prisão de Mule Creek por ter assassinado sua esposa. Ele não teve problema em se declarar culpado e em revelar onde enterrou o corpo de Nina Reiser. Como dado curioso, vale a pena dizer que este especialista em programação dispõe de uma inteligência prodigiosa, ao ponto de ter iniciado os seus estudos universitários ainda adolescente.

Depois de um julgamento rápido e de ter ingressado na prisão de San Quintín, decidiu preparar ele próprio o seu recurso. Através de 5 folhas escritas à mão, argumentou  que o seu cérebro funcionava de maneira diferente. Reiser tinha conhecimento dos estudos que estavam a ser realizados sobre a oxitocina e a utilizou como argumento. Segundo ele, tinha nascido com o seguinte problema: o seu cérebro não produzia a chamada molécula da moral. 

Obviamente, e como era de se esperar, este argumento não o impediu de cumprir a pena perpétua. No entanto, o tema sobre a origem da maldade voltou a entrar em debate. Nos dias de hoje, dá-se pleno valor ao fato de que a oxitocina é o hormônio que faz de nós seres “humanos” na sua vertente mais autêntica. Pessoas educadas e preocupadas em ajudar, cuidar e empatizar com os nossos semelhantes.

Como se defender da crueldade camuflada

No nosso cotidiano, nem sempre nos relacionamos com pessoas tão cruéis como a anteriormente citada. Porém, somos vítimas de outro tipo de interações: as de falsa bondade, a agressividade encoberta, a manipulação, o egoísmo sutil, a ironia mais daninha, etc.

“O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, 
e sim por aquelas que permitem a maldade.”
-Albert Einstein-

Estes comportamentos podem ser resultado de vários aspetos. Carência de inteligência emocional, um ambiente pouco afetivo onde a pessoa cresceu ou até mesmo um déficit na liberação da oxitocina. Tudo isto talvez determinará essa agressividade mais ou menos encoberta. De qualquer forma, não podemos esquecer que quando falamos de agressividade, não estamos nos referindo exclusivamente ao dano físico.

A agressão emocional, a instrumental ou a verbal são feridas menos denunciáveis devido à necessidade de serem provadas, mas são mais corriqueiras e por isso temos que nos defender. Explicaremos como.

Pessoas cruéis: saber reconhecê-las e evitá-las

Todos podemos ser vítimas das pessoas cruéis. Não importa a idade, o status ou as nossas experiências anteriores. Este tipo de pessoa pode ser encontrado no meio da família, em ambientes de trabalho e em qualquer outro cenário. No entanto, podemos identificá-las de várias formas.

A pessoa de coração obscuro nos seduzirá com a mentira. Elas irão se camuflar por trás de palavras bonitas e atos nobres, mas pouco a pouco surgirá a chantagem. E mais tarde, a criação do medo, da culpa e da violência mental.

Perante estes mecanismos, cabe apenas uma opção: a não-tolerância. Não importa que seja a nossa irmã, nossa parceira ou um colega de trabalho. Os perturbadores da calma e do equilíbrio só buscam uma coisa: acabar com a nossa autoestima para ter o controle.

Teremos a sensação clara de que não há saída. De que elas nos têm sob suas redes. No entanto, vale recordar que “é mais poderoso aquele que é dono de si mesmo”.

Por isso, é importante acabar com o jogo da dominação e da agressividade com determinação.
Os jogos da dominação e da agressividade encoberta são muito complexos.


No entanto, é necessário agir com rapidez para remover armadilhas e reagir a ameaças veladas. No momento em que sentirmos desconforto ou preocupação em relação a certos comportamentos, só existe uma opção: a distância.

Valéria Amado
domingo, 27 de agosto de 2017 0 comentários

O LADO OBSCURO DA PALAVRA



Uma das mais fascinantes aquisições da nossa espécie foi a linguagem. Mesmo dispondo de um cérebro competente e da laringe, foram necessários vários milênios para que pudéssemos construir um conjunto de sons correspondentes a objetos, seus atributos e ações.

Depois, os sons tiveram de ser transformados em algum tipo de sinal, de desempenho – precursor das palavras e, finalmente, das letras que as compõem. O que cada criança demora poucos anos para aprender nos custou muito tempo e suor para construir.

Estabelecida a linguagem, passamos a experimentar um período de grande e rápida evolução, que correspondeu aos últimos 5 mil anos de nossa história.

A transferência de informações de uma geração para outra ficou muito mais fácil devido à existência da palavra, de modo que temos acumulado conhecimento a uma velocidade cada vez maior.

Como consequência, surgiram novos conceitos e ideias, e tudo isso acabou promovendo o progresso tecnológico de que tanto nos orgulhamos.

Nossa memória foi suficiente para armazenar todo o conjunto de dados necessários para a evolução em cada setor das atividades humanas.

Essa característica de nosso cérebro pode ser estimulada graças ao desenvolvimento da linguagem, pois é por meio das palavras que os fatos e os conceitos se fixam no sistema nervoso.

A comunicação entre as pessoas também experimentou grande avanço. A narrativa literária ficou cada vez mais sofisticada.

Usando a linguagem, sabemos expressar os mais diversos estados da alma. Podemos fazer perguntas sobre as sensações do outro. Podemos conhecer suas alegrias e a razão de suas amarguras, de forma fácil e direta.

Infelizmente, parece que tudo é uma faca de dois gumes. Até agora, falamos das impressionantes vantagens que obtivemos com a aquisição da linguagem. Mas existe também o lado negativo desse processo que nos permitiu um uso mais adequado da inteligência.

Por exemplo, uma pessoa, ao perceber que será punida se outras descobrirem determinado comportamento seu, poderá tentar esconder o fato por meio das palavras.

A mentira não deixa de ser uma utilização sofisticada da inteligência, mas também é um subproduto dela por seu caráter imediatista. Pode ajudar momentaneamente. A médio e a longo prazo, leva o mentiroso a se perder, afastando-o da realidade. Sim, porque ele passa a utilizar a razão de forma menos rigorosa e precisa.

A mentira é “coisa dos espertos”, dos que querem tirar vantagem sempre. Nunca aproximará alguém da verdadeira sabedoria e serenidade. A longo prazo, não há trambique no jogo da vida.

A linguagem se estabeleceu e com ela achamos os meios para uma comunicação interpessoal extraordinariamente fácil e direta. Por outro lado, os seres humanos aprenderam a usar a linguagem para afastar o interlocutor da verdade.

Por meio da mentira, as palavras ganharam peculiaridades muito negativas. Passaram a ser utilizadas para que uma pessoa consiga se impor indevidamente sobre outra.

A comunicação foi dando lugar ao jogo de poder, à dominação, ao desejo de enganar com o intuito de obter vantagens. Em vez de perseguir a verdade, a maioria costuma perseguir a vitória.

Como distinguir a verdade da mentira? Nem sempre é simples. Nem sempre é possível fazer essa separação. Muitas vezes, teremos de lançar mão da nossa sensibilidade para captar, nos gestos e nas atitudes do outro, suas intenções.

Mesmo assim, vale a seguinte regra geral: sempre que as palavras não estiverem de acordo com os fatos, prevalecem os fatos.

Se um homem diz a uma mulher que a ama muito e a maltrata o tempo todo, consideramos o tratamento e não a palavra.

Falar é fácil e, depois da invenção da mentira, só tem valor quando a palavra vem acompanhada de atitudes que confirmem o que está sendo dito.

 Flávio Gikovate
sexta-feira, 28 de julho de 2017 0 comentários

OKJA FILME



Vi o filme OKJA achando que seria um filme fofo para passar uma tarde tranquila, só que não! Após assistido ficou um sentimento de culpa e a vontade de nunca mais comer carne na minha vida.
QUE SAUDADE DO MEU FALECIDO CACHORRO!!!



AGORA PELO AMOR DE DEUS. O BICHO ALÉM DE FOFO É INTELIGENTE E TEM OLHOS HUMANOS. Isso acaba com o coração da gente. 


quinta-feira, 27 de julho de 2017 0 comentários

A REALIDADE TRANSFIGURADA



Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada. O que te direi? te direi os instantes. Exorbito-me e só então é que existo e de um modo febril. Que febre: conseguirei um dia parar de viver? ai de mim, que tanto morro. Sigo o tortuoso caminho das raízes rebentando a terra, tenho por dom a paixão, na queimada de tronco seco contorço-me às labaredas. A duração de minha existência dou uma significação oculta que me ultrapassa. Sou um ser concomitante: reúno em mim o tempo passado, o presente e o futuro, o tempo que lateja no tique-taque dos relógios. 
Para me interpretar e formular-me preciso de novos sinais e articulações novas em formas que se localizem aquém e além de minha história humana. Transfiguro a realidade e então outra realidade, sonhadora e sonâmbula, me cria. E eu inteira rolo e à medida que rolo no chão vou me acrescentando em folhas, eu, obra anônima de uma realidade anônima só justificável enquanto dura a minha vida. E depois? depois tudo o que vivi será de um pobre supérfluo. 
Mas por enquanto estou no meio do que grita e pulula. E é sutil como a realidade mais intangível. Por enquanto o tempo é quanto dura um pensamento. 

Clarice Lispector, in 'Água Viva' 
sexta-feira, 14 de julho de 2017 0 comentários

EU ENTENDO TODA A DEFESA QUE SE FAÇA DO LULA ...



Eu entendo toda a defesa que se faça do Lula, exceto ler gente inteligente dizendo que agora (e somente agora) nossa democracia é uma farsa, nossa justiça é classista, o sistema financeiro dá as cartas, a mídia é golpista, o STF é um escárnio, o Congresso é vendido e vivemos num estado de exceção.

Por que o STF não era um escárnio quando o PT indicou 7 dos 11 atuais ministros?
Por que a mídia não era golpista quando Hélio Costa era ministro das Comunicações e os governos petistas encharcavam a Globo de dinheiro?

Por que a nossa justiça não era classista quando, durante os governos petistas, o número de presos aumentou enormemente, sendo a maioria de pretos e pobres e 41% em prisão preventiva?

Por que o sistema financeiro passou a dar as cartas agora, com Meirelles na Fazenda, e não dava as cartas antes, com Meirelles no Banco Central?

Por que o Congresso passou a ser vendido agora e não era nos tempos da "governabilidade"?
Defender Lula é uma coisa. Ignorar nossa história como se as injustiças sociais começassem ontem com a sentença de Lula é outra coisa bem diferente.

Por Gustavo Gindre
domingo, 9 de julho de 2017 0 comentários

EM QUE CONSISTE A INTIMIDADE?



A intimidade consiste em uma adorável sensação de proximidade e cumplicidade com uma pessoa especial: um amigo sincero, um parente, um parceiro sentimental. Ela só se constrói em determinadas condições especiais, sendo que a mais importante delas tem a ver com o modo como se constituiu nosso modo de pensar.

Cada um de nós desenvolveu um jeito de correlacionar as palavras e os pensamentos que é mais original do que pensamos. Apesar de todos falarmos a mesma língua, nem sempre o que dizemos corresponde exatamente ao que o outro ouve; e, o que é o principal, muitas vezes não está em sintonia com aquilo que estava em nossa mente. Ou seja, como cada cérebro é único, não é raro que aquilo que estou escrevendo aqui agora – e que é o fruto de um esforço de transformar em palavras o que se passa em minha mente – não corresponda ao que você, leitor, estará entendendo. Isso não se deve apenas à uma eventual dificuldade minha de me comunicar e sim a diferenças relevantes entre os nossos modos de pensar.

Em contrapartida, há vezes em que o que falamos ou escrevemos parece corresponder exatamente ao que nosso interlocutor entendeu. A sensação é extremamente agradável, uma vez que nos sentimos devidamente entendidos e isso define uma importante afinidade no sistema de pensar, condição indispensável para que se constitua um relacionamento íntimo. Quando ocorre essa comunicação bem sucedida nossa sensação é de aconchego, de não estarmos tão sozinhos nesse mundo.



Ao longo do convívio com alguém cujo modo de pensar é suficiente parecido com o nosso, é claro que podem surgir divergências de pontos de vista e mesmo de atitudes diante das várias condições objetivas da vida de cada um dos que são íntimos.

É indispensável que esse canal fluente e fácil de comunicação não se feche, o que exige certos cuidados muito relevantes. O primeiro deles diz respeito ao modo como colocamos nossas diferenças: o melhor caminho consiste no uso da primeira pessoa do singular e não a terceira pessoa, uma vez ela que pode facilmente provocar a sensação de cobrança, crítica ou acusação.

Se algo me desagrada no outro, posso dizer a ele que “eu fico triste quando acontece isso ou aquilo entre nós” em vez de “não acho que você deveria fazer isso ou aquilo”; ou pior ainda: “não aceito – não admito – que você faça isso ou aquilo”.

Ninguém tem o direito de exigir nada de ninguém, muito menos dos mais íntimos. Temos o direito e mesmo o dever de informá-los sobre os desdobramentos de seus atos: “quando você age dessa ou daquela maneira, isso provoca em mim tantas e tais sensações e emoções”. Se o outro quiser nos agradar certamente tenderá a evitar as condutas que nos entristecem. Se não for esse o caso, cabe a nós decidir se aceitamos ou não o convívio com essa pessoa.

Outro ingrediente que considero fundamental para a continuidade dos relacionamentos baseados em respeito e intimidade é a ausência de críticas.

Quando uma pessoa relevante nos censura, nossa sensação é muito desagradável; e é especialmente ruim se esperávamos algum tipo de compreensão ou alívio de um desconforto que nós mesmos estejamos sentindo por termos cometido algum erro.

Quando esperamos colo e recebemos uma reprimenda, tendemos a nos calar; e não só naquela dada situação específica, mas também em qualquer outra que venha a ser passível de algum tipo de reprimenda.

Um exemplo: se eu contar para o meu parceiro sentimental algo no qual eu tenha falhado – ou algum sonho ou pensamento não muito abonador – eu não gostaria de ouvir algo do tipo “nossa, nunca pensei que você fosse fazer essa bobagem ou ter tal tipo de pensamento”. É claro que da próxima vez que eu fizer algo que possa ser censurável ou pensar algo não tão agradável não mais contarei o que se passou comigo.

Assim, o que mais comumente interrompe a comunicação e impede a intimidade são atitudes críticas e reprovadoras vindas de parceiros cuja aceitação nos é tão importante.

Se ao invés de críticas ouvirmos algo do tipo “você sabe que em uma dada ocasião fiz algo parecido e sei muito bem como é chato errar e imagino como você deva estar se sentindo; mas não se aflija, pois isso logo passa”, é claro que a intimidade cresce e se fortalece.


Em síntese, as boas relações de companheirismo acontecem entre aqueles que possuem modos de ser e de pensar assemelhados, que sejam muito cautelosos ao colocar suas divergências – sempre dando prioridade para a descrição da repercussão das ações do outro sobre si mesmo – e, mais que tudo, entre pessoas que não se arvorem em juízes e que sejam acima de tudo cúmplices.

 Flávio Gikovate
quinta-feira, 8 de junho de 2017 0 comentários

PREGUIÇA: UMA DAS MÁSCARAS FAVORITAS DO MEDO



Hoje em dia quando ouvimos alguém dizer que alguma coisa lhe dá preguiça levamos as mãos à cabeça. Uma pessoa preguiçosa não é digna de aprovação do sistema social, já que é vista como alguém folgado que não é capaz de cumprir suas obrigações, e até chegamos a considerá-la como alguém inferior. Uma pessoa frágil carente de vontade.

Obviamente, todos os seres humanos sentem preguiça em maior ou menor grau, e as razões por trás disso são evolutivas. Como todas as nossas emoções, a preguiça também tem uma função: reduzir o nosso gasto de energia, de forma que sempre tenhamos reservas em caso de necessidade.

Os hominídeos assumem a alternativa de exercer a preguiça durante o tempo em que não é conveniente desperdiçar a própria glicose cerebral.

A preguiça implicava uma economia de energia, pois nem sempre existia excesso de nutrientes. Então, deixar-se dominar por ela em determinados momentos podia ser uma medida bastante adequada em prol da nossa sobrevivência. Atualmente esta preguiça já não é tão útil, mas ainda assim muitos de nós continuamos desenvolvendo-a para posteriormente nos sentirmos culpados.

A sociedade nos incutiu a ideia de que ser preguiçoso nos transforma em seres inferiores, que merecem as críticas e os olhares depreciativos do restante do grupo social. É por isso que logo nos sentimos culpados.

Quando usamos a preguiça para justificar nossos medos

Muitas vezes achamos que estamos com preguiça e deixamos de realizar certas atividades que nós mesmos tínhamos decidido empreender. Nos justificamos dizendo a nós mesmos que faremos em outro momento em que tivermos mais vontade ou energia. Contudo, finalmente percebemos que isso não irá acontecer.

Os medos podem ser mascarados de diversas formas e a preguiça costuma ser uma das máscaras mais favoritas do temor de realizar alguma coisa e de que as coisas não saiam perfeitas, ou de empreender o que tínhamos pendente e que talvez não seja aprovado pelo nosso entorno. Neste sentido, a preguiça age como uma ferramenta de fuga da realidade.

“Se percebermos que isso acontece com certa frequência, será preciso tirar a máscara desses medos e tomar uma atitude, independentemente de gostarmos ou não.”

Acontece que a preguiça chama a preguiça. Isso é, quanto mais peso damos a este estado de indolência, mais sem vontade nos sentiremos e menos força de vontade teremos para sair da inatividade. Isso irá repercutir negativamente em nossos medos, que crescerão com mais força, agarrados à racionalização do conceito de “farei isto amanhã” ou “quando tiver vontade e motivação”.

É por esta razão que é tão importante identificar se realmente temos vontade de parar um pouco, tirar as exigências e obrigações autoimpostas e retomar à nossa própria homeostase interior, ou se temos medo de empreender coisas que sabemos que são importantes para nós.

O medo alimentado cresce e se generaliza: traz mais medos, que acabam nos aprisionando quase totalmente.

Ativação longe das obrigações

Deixar de manter a preguiça não significa ir de um extremo ao outro e começar a encher a nossa agenda de obrigações desnecessárias. Não só isso, ter tantas obrigações pode incrementar de tal modo a força da preguiça que pode acabar nos vencendo quando menos gostaríamos.

Está certo, e é totalmente válido, não ser tão extremista e criar um espaço para o nosso deleite pessoal, muito além do que devemos ou não fazer.

Para isso, é conveniente abandonar o sofá e a televisão que nos aprisionam à inanição mais profunda e não nos ajudam a nos sentirmos plenos nem realizados. O ideal seria usar essa preguiça para fazer atividades de lazer e ócio.

O ócio não é a mesma coisa que a preguiça. Os romanos introduziram este termo para diferenciá-lo de negócio – a negação do ócio, isto é, aquilo que se realiza para obter renda e poder viver. Com o ócio, a pessoa realiza aquelas atividades que lhe agradam de forma profunda, aquilo que leva no seu interior de forma mais natural.

Se é o caso de podermos unir negócio e ócio, então seremos pessoas muito privilegiadas, já que obteremos ganhos pelo fato de nos divertirmos ou realizarmos uma atividade prazerosa.

A preguiça, por sua vez, é entendida como a não realização nem de atividades de negócio, nem de ócio, e portanto semeia a semente do desleixo, o cansaço sustentado e inclusive a depressão, já que não produz mais retroalimentação do que a culpa.

Por isso, o mais conveniente é se manter sempre no ponto médio, que como dizia Aristóteles, é onde está a virtude: não se deixar levar pelas obrigações absolutistas de nossa era, nem abandonar o nosso próprio eu à preguiça.

O sensato é caminhar em direção ao lugar onde estivermos ativos, nos sentirmos úteis e tivermos objetivos e, além disso, tivermos tempo para dedicá-lo a nós mesmos, à família, aos amigos e a gozar a vida.

 A mente é maravilhosa.
domingo, 4 de junho de 2017 0 comentários

POR QUE REPETIMOS OS MESMOS ERROS?

POR QUE REPETIMOS OS MESMOS ERROS? 



De novo, de novo e de novo...
Quando conteúdos recalcados irrompem como sintoma,
sobrevém o sofrimento, mas também o alívio.

Em seu novo livro, o psicanalista e psiquiatra J.-D. Nasio parte de um questionamento comum, aparentemente comum, que a maioria das pessoas já fez em algum momento. A banalidade, porém, é mesmo só aparente: o tema é profundo, relacionado à constituição do sujeito e da subjetividade, ao determinismo psíquico – e arraigados sofrimentos que levam as pessoas a acreditar que são vítimas de um princípio “demoníaco”, como escreveu Sigmund Freud.

Por que repetimos os mesmo erros parte da noção de inconsciente, essa “força soberana que nos confere identidade social e nos impele a escolher a mulher ou o homem com quem compartilhamos a vida, a escolher a profissão que exercemos, a cidade ou a casa onde moramos – escolhas que julgamos deliberadas ou fortuitas ao passo que, na verdade, nos foram sutilmente ditadas pelo inconsciente”.

É essa instância que nos impele a repetir tanto o que nos faz bem, de forma sadia, quanto comportamentos que nos prejudicam.

Nasio reflete sobre essa ambivalência psíquica tomando como ponto de partida casos que fazem parte de sua experiência clínica. Destaca três leis que regem o processo repetitivo:
1. lei do mesmo e do diferente (algo jamais se repete de maneira absolutamente idêntica, aparece sempre um pouco diverso);
2. lei da alternância da presença e da ausência (a repetição não acontece todo o tempo);
3. lei da intervenção de um observador que enumera a repetição (só existe o fenômeno porque o contabilizamos, nomeamos e apontamos o número de vezes que ele se reproduz).

Embora muitos se deem conta do quanto são presas fáceis de cenários de fracasso que se reeditam levemente modificados, nem toda repetição é, necessariamente, prejudicial. Um dos pontos destacados no livro é seu efeito benéfico, quando associada à autopreservação, ao desenvolvimento e à formação da própria identidade – e sem caráter compulsivo.

Segundo Nasio, que durante 30 anos lecionou na Universidade de Paris VII, do ponto de vista psíquico é possível destacar três pontos de retorno ao próprio passado: por meio da consciência (marcada por recordações na maioria das vezes visuais, mas também táteis, gustativas ou olfativas ao que esteve esquecido, como Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust); em atos sadios (retorno, por meio dos comportamentos, a um passado conturbado e recalcado); e em atos patológicos (retorno compulsivo a um passado traumático e recalcado por meio de comportamentos).

As duas primeiras situações são qualificadas como sadias. A última, entretanto, tem caráter patológico.

É justamente a volta ao trauma que incomoda as pessoas que buscam atendimento psicológico ao perceberem, no presente, a eclosão do sintoma ou da ação impulsiva, também chamada de passagem ao ato. Sigmund Freud escreveu: “Os abalos inconscientes não querem ser rememorados, mas aspiram a reproduzir-se; o doente quer agir suas paixões”.

Nasio se encarregou dos grifos, ao definir a repetição patológica como uma série de pelo menos três ocorrências, na qual “uma emoção infantil, violenta, forcluída e recalcada aparece, desaparece, reaparece e reaparece novamente alguns anos mais tarde, na idade adulta, sob a forma de uma experiência perturbadora cujos paradigmas são o sintoma e a passagem ao ato”.

O autor destaca ainda duas formas básicas de repetição patológica: temporal e tópica. A temporal é facilmente detectada e o paciente sente que “faz parte dela”, é protagonista do sintoma, volta e meia se vê tragado por situações nas quais reconhece o sintoma. Já a repetição tópica ou espacial não é reconhecida pela pessoa, mas deduzida pelo analista.

Em Além do princípio do prazer, de 1920, Freud escreve que a criança nunca se cansa de repetir uma brincadeira ou ouvir uma história, é o adulto que lhe impõe o limite. Fica claro para qualquer um que tenha vivido diretamente ou presenciado esse tipo de situação que o prazer provocado pela repetição pode estar associado à compulsão pela gratificação. Mas quando conteúdos recalcados irrompem subitamente, transmutados em sintoma, o que sobrevém é o sofrimento. Ao mesmo tempo, porém, esse movimento permite uma descarga de tensão que, em algum nível, proporciona alívio.

Para dar conta dessa aparente contradição, Nasio recorre à teoria lacaniana, segundo a qual o gozo oferece dor e prazer, simultaneamente. O autor chama a atenção para o fato de que somos tanto atores quanto espectadores das repetições.

No momento em que retoma uma emoção traumática, a pessoa em análise é, simultaneamente, aquela que revive o trauma e que se observa revivendo essa experiência – e aí está uma porta possível para a ressignificação da repetição, da tentativa de controlar o que foi vivido passivamente. É um aspecto do que Nasio chama de “revivescência”, que se constitui ao longo de várias sessões psicanalíticas, indo muito além da rememoração.

O autor escreve: “Convém ao mesmo tempo sentir e ter consciência de sentir, dissociar-se entre aquele que revive o trauma e aquele que se vê revivendo o trauma”. Um processo árduo, delicado e em geral doloroso – mas felizmente possível e libertador.

Maria Maura Fadel
 
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